a ferro, fogo e alma…

Manuel Carlos

A memória é um lugar errante.

A memória é um lugar errante, vagueando com liberdade pelas coordenadas mais variadas. As peripécias guardadas servem de pequenas vinganças contra o tempo. O princípio, meio e fim que asseguram equivalem ao desenrolar de uma narrativa cheia de pormenores aliciantes. É nesses detalhes descritivos que surge uma observação vivida pela perspectiva momentânea, pelo romantismo da visão impossível.

Os encontros formam a estrutura de comparação, donde se mede tudo o resto. Pessoas, países, raízes de pensamento – pequenas conclusões que tornam a memória um lugar errante e também um lugar seguro.

O amor vive por detrás das memórias, no único espaço onde não há tempo, nem princípio nem fim, depois das imperfeições e das histórias bem contadas. O amor prefere o secretismo dos projectos invisíveis, e renova-se tão rapidamente como chega o fim do dia.

As aventuras servem para chegar à presença de espírito necessária, como se nada se alcançasse sem essa leveza de apenas respirar… virar a cabeça… olhar de soslaio e rir com todos os sentidos.

A construção de uma visão passa por articular esse conhecimento com a ingenuidade de um desejo. De desejo em desejo, a perspectiva alarga-se e as memórias passam a nadar num oceano do tamanho do mundo.

É aí que navega o amor, num barco à vela, divertindo-se pelo caminho.

«Ver VÍDEO»

Esboço de 1973…
Inaugurada a peça a 1/6/2011
um logo trabalho de amadurecimento…

Em aço corten.

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